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		<title>Conto Contos</title>
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		<title>Alê &#8211; O lutador [Final]</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 03:30:33 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Alê - O Lutador]]></category>
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		<description><![CDATA[Ela correu desesperada para perto dele, como se estivesse perdendo naquele momento todo o amor de sua vida. Eu sentei ali para assistir no que isso daria. Afinal, eu venci a luta, mas não de um jeito aceitável. Eu acabei de destruir toda a minha carreira por dar asas a raiva. Eu nem sabia quem ele [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contocontos.wordpress.com&amp;blog=9747375&amp;post=36&amp;subd=contocontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://i423.photobucket.com/albums/pp317/CrimsonBlood123/sitting.jpg" alt="sitting.jpg image by CrimsonBlood123" width="158" height="221" /></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ela correu desesperada para perto dele, como se estivesse perdendo naquele momento todo o amor de sua vida. Eu sentei ali para assistir no que isso daria. Afinal, eu venci a luta, mas não de um jeito aceitável. Eu acabei de destruir toda a minha carreira por dar asas a raiva. Eu nem sabia quem ele era, mas o que ele me lembrou me tirou do normal.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Eu era bem novo quando conheci a Dalila. Tinha ido beber umas cervejas em um bar próximo à minha casa depois de uma longa discussão com minha mãe já falecida. Chegando lá pedi algumas cervejas e fiquei encarando a garçonete por vários minutos. Ela parecia gostar.</p>
<p style="text-align:justify;">- Faz calor &#8211; puxando, eu, conversa com ela.<br />
-É por isso que bebes algo gelado então &#8211; Ela respondeu-me olhando nos meus olhos e soltando-me um sorriso.</p>
<p style="text-align:justify;">Conversamos enquanto eu dava alguns goles no copo gelado. Fiquei pensando se seria uma boa idéia convida-la pra sair, mas um grito vindo do lado de fora da porta do bar assustou a todos. Todos largaram seus copos e levantaram-se das mesas em direção à porta. Do lado de fora, na calçada, uma jovem berrava com um moço. Acusava-lhe de roubo. Logo o tal moço foi surrado pelos bêbados que estavam no bar e a moça apressou-se em fugir.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-36"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Corri atrás dela e quase a perdi de vista quando ela dobrou na esquina.<br />
-Ei! Ei! &#8211; Gritava eu, atrasado logo atrás dela.<br />
-O que é? &#8211; Virando bruscamente em direção à mim, com uma cara de  irritada e assustada ao mesmo tempo &#8211; Vai me roubar também?<br />
-Não! É claro que não, só queria saber se estava bem. Conseguiu de volta o que ele te roubou?<br />
-Sim. Eu peguei de volta. Já pode voltar para teu caminho.<br />
-Não me lembro de ter visto a senhorita pegar nada de volta &#8211; falei, expressando-me um pouco confuso.<br />
-Já disse que peguei! Volte ao seu caminho! &#8211; Já irritada, me respondeu.<br />
<img class="alignleft" src="http://etc.usf.edu/clipart/56500/56500/56500_courthouse_md.gif" alt="The Old Courthouse Where Jackson was Fined for Contempt of Court" width="168" height="127" />-Esse é meu caminho &#8211; Respondi. Onde você mora? Posso acompanha-la até lá se quiser.<br />
-Moro bem alí embaixo, naquela casa verde claro, pintada com cal barato. Estou praticamente em casa. Já disse, segues teu caminho! &#8211; Respondeu-me brava.<br />
- Aquela alí? Perto da mercearia?<br />
-Sim &#8211; Olhando pra mim com olhos de quem queria me esmurrar.<br />
-Aquela é a minha casa, Senhorita.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela mentiu. Eu percebi que o roubo também foi uma mentira; acredito que uma vingança. Depois disso, ela caminhou cada vez mais depressa. Eu tentei acompanha-la, mas ela andava rápido demais. Quando eu já estava bem atrás gritei:<br />
-É a minha casa, mas pode ser sua também.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela desapareceu na ladeira.</p>
<p style="text-align:justify;">A noite fiquei pensando naquela graciosa mulher. Como seria bom tê-la. Acariciar aquele rosto meigo de pele escura amarromzada e olhos escuros e brilhantes.<br />
No dia seguinte, voltei ao bar. Perguntei a garçonete sobre o jovem rapaz, além da surra, nada aconteceu. Tremi um pouco antes de chama-la pra sair comigo no próximo sábado, mas ela disse que não podia, trabalhava no sábado a noite em outro local. Preferi não perguntar sobre seu trabalho noturno, mas me interessei em saber.</p>
<p style="text-align:justify;">No sábado, já com céu escuro fui até o bar, atravessei a rua e fiquei esperando do outro lado da rua a garçonete sair e não demorou muito pra que isso acontecesse. Eu a segui. Estava curioso pra saber onde ela trabalhava. Depois de algumas ruas ela entrou em um bordel. Eu esperei alguns minutos do lado de fora, pra dar tempo dela se arrumar para o trabalho e depois me dirigi a recepção. Pedi pelo quarto da última mulher que tinha entrado alí.</p>
<p style="text-align:justify;">Caminhei de cabeça baixa até a escadaria, não queria que alguém me visse naquele lugar, pois eu sabia que essa notícia chegaria até a minha mãe e ela me obrigaria a voltar para a escola e a trabalhar, e nunca mais me deixaria sair nesse horário. Subi rapidamente a escada e quando me aproximei da porta que inicialmente estava indo, olhei para o lado pois ouvi o som de pisadas conhecidas. Era a moça bonita que eu conheci no assalto em frente ao bar.<br />
Andei atrás dela e entrei no mesmo quarto que ela tinha entrado. Foi naquela noite que eu soube seu nome. &#8220;Dalila&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Voltava lá sempre que podia. Mas o dinheiro estava ficando cada vez mais curto, sem valor. Eu queria ficar ao lado dela todos os dias, mas não podia. Eu já estava louco, apaixonado por ela.<br />
Sumi por alguns dias, me envolvi com grupos de malandros que assaltavam. Não me importava de onde vinha o dinheiro. Ver a Dalila me importava. Passamos anos assim, nos vendo, nos amando e eu no crime. Lembro-me da última vez que nos vimos, fizemos amor como em nenhuma outra vez, queria ficar mais tempo deitado junto dela, mas tive que sair para mais um &#8220;compromisso&#8221; com um dos grupos que eu conheci. Se não fizesse aquilo, na noite seguinte eu não podia vê-la, mas mesmo fazendo, eu a não vi. Fui preso naquela noite; horas depois.</p>
<p style="text-align:justify;">Na prisão, aprendi a lutar. E com a luta, aprendi a expressar a saudade que sentia dela e a raiva que sentia de mim pelos meus atos. No começo eu só roubava, mas depois roubar ficou cada vez mais difícil, pois eu precisava de coisas mais caras, e então, passei a matar. O meu passado triste eu esqueci na luta, eu batia, mas não pra roubar e também não precisava matar. Fui ensinado a saber meus limites e como numa luta, a vida tem seus limites, se você ultrapassa, ou você mata, ou você morre.</p>
<p style="text-align:justify;">Envelheci na prisão, e com isso passei a odiar Dalila, pois ela era o único motivo de eu estar alí. Eu não teria roubado nem matado se não tivesse a conhecido. Era um ódio estranho esse que eu sentia. Eu não sabia se continuaria a odia-la se eu a visse novamente.<br />
Foi na prisão também que eu conheci o Rafa e daí então tornou-se meu melhor amigo.<br />
Saímos da prisão juntos e começamos a lutar pra ganhar a vida. Ele conhecia Dalila do mesmo lugar que eu, mas sempre respeitou o que eu senti por ela. Foi assim que cheguei até aqui, e agora estou sentado observando o que eu fiz. O que o destino preparou pra mim. Um reencontro com a Dalila,  o fim triste da minha carreira e a ressurreição do meu triste passado.</p>
<p style="text-align:justify;">[...]</p>
<p><img class="alignright" src="http://www.gobodrum.com/medical-doctor-ambulance/ambulance.jpg" alt="" width="300" height="191" /></p>
<p style="text-align:justify;">Todos estavam agitados e naquele momento ninguém lembrou de mim. Minutos depois a ambulância chegou. O Pedro pulou dentro logo após os primeiros socorros no azulão, ele queria ir até o hospital acompanhar de perto o triste fim. Na verdade, fez isso pra não se sentir culpado, pois ele foi quem escolheu o lutador pra minha batalha final. A Dalila entrou logo em seguida, e eu também. Era o momento de saber que era aquele homem.<br />
Ela não se segurou, entrou em prantos. Perguntei-a:<br />
-Porque a sua cara de decepção quando me viu?<br />
Ela chorando respondeu &#8211; Você era sempre o último a entrar, não imaginava que seria o primeiro hoje. Não imaginava que iria lutar com ele! &#8211; E voltou a soluçar.<br />
- Quem é ele? &#8211; Perguntei ansioso pela resposta, mas o silêncio reinou depois da minha pergunta.<br />
-Quem é ele? &#8211; Voltei a perguntar.<br />
Quase sem voz ela respondeu &#8211; Seu filho. Ele é seu filho &#8211; Repetiu.</p>
<p style="text-align:justify;">Fiquei chocado, minhas pernas tremeram.<br />
-Como você sabe? Trabalhava em um bordel! &#8211; Perguntei novamente, dessa vez também quase sem voz.<br />
-Depois que me apaixonei, passei a trabalhar só no horário que você freqüentava. Saia após você ir embora. Sempre inventava uma desculpa pra não ter que atender outro cliente, por isso, passaram a te cobrar cada vez mais caro.<br />
-Porque deixou ele lutar? &#8211; Enfurecido ao saber que matei meu filho.<br />
-Quando pequeno, disse a ele que seu pai era um grande lutador &#8211; Ela respondeu-me e logo após chorou desesperadamente.<br />
-Você sabia? &#8211; Perguntei bravo ao Pedro.<br />
Ele balançou a cabeça fazendo sinal positivo.</p>
<p style="text-align:justify;">Não tinha mais jeito de salvar meu filho. Fiquei aflito, pensando como seria minha vida agora.<br />
Chegamos no hospital com azulão ainda vivo, mas os enfermeiros não conseguiam estancar o sangue. Imaginei que o sangue do meu filho seria compatível com o meu, e o meu eu sabia que era compatível com o do Pedro.<br />
Na frente do hospital havia uma barraca de espetinhos. Chamei o Pedro e deixei a Dalila entrar no hospital. Eu disse que compraria água e precisava conversar com Pedro. Ao chegar na barraca, peguei um espeto e o enfiei no pescoço do Pedro. Eu o matei.<br />
O coração dele foi transplantado para eu filho, que agora vive, mas não luta mais. Eu voltei para a cadeia mas me sinto livre. Precisei desenterrar o meu passado pra poder continuar a viver, algo que eu não fazia desde os tempos da Dalila.</p>
<p style="text-align:justify;">Não é bom saber que o meu filho agora tem um coração ruim. Veio de um cara que tentou nos destruir, mas saber isso é bem melhor do que saber que eu o matei. Quase! Eu quase o matei.</p>
<p style="text-align:justify;">Não sei o que vou fazer quando for liberto. Voltarei aos rings, talvez!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/contocontos.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/contocontos.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/contocontos.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/contocontos.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/contocontos.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/contocontos.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/contocontos.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/contocontos.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/contocontos.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/contocontos.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/contocontos.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/contocontos.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/contocontos.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/contocontos.wordpress.com/36/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contocontos.wordpress.com&amp;blog=9747375&amp;post=36&amp;subd=contocontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O garoto surreal</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 08:24:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>.::Mostarda::.</dc:creator>
				<category><![CDATA[O garoto surreal]]></category>

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		<description><![CDATA[estória de um menino curioso que morava sua avó.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contocontos.wordpress.com&amp;blog=9747375&amp;post=20&amp;subd=contocontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<p><img class="alignright" src="http://etc.usf.edu/clipart/25500/25561/boy_25561_lg.gif" alt="" width="244" height="392" /><em>Jimmy era um garoto comum em sua aparência física, com olhos claros, cabelos escuros e lisos, mas pesados. Bochechas rosadas e fartas; e  pele amarelada. Estudava em uma escola pública de sua pequena cidade onde vivia  desde que nasceu. Morava com a avó e não sabia o paradeiro dos pais, apesar de sempre ser comparado à algum deles.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Em uma noite sua avó serviu sua janta como todas as outras noites, mas Jimmy não estava com fome. Foi deitar logo após chateasse com a avó que lhe obrigara comer. Em seu quarto, debruçou-se sobre a cama para dormir, mas não conseguiu. Esperou deitado no escuro por mais algumas horas, e ainda assim não conseguiu. Já perto do amanhecer ouviu um barulho  vindo da casa do vizinho e correu até a janela para ver o que se passava. Ainda estava um pouco escuro e não dava pra ver nitidamente o que ele tirava da carroceria de sua velha caminhonete, mas parecia serem sacos que ele escondera debaixo de feixes de capim. Já ocorrera outrora esses barulhos vindo do vizinho antes do amanhecer, mas o sono nunca o deixava ir olhar.</em></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><span id="more-20"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Jimmy &#8211; Fiquei observando até o último saco tirado do carro. Ele parecia desconfiado, olhava sempre de um lado para o outro como se estivesse com medo de alguém o ver. Ele entrou rápido com o último saco para a garagem, este parecia se debater. Quando ele entrou, saí da janela. Fiquei tentando adivinhar o que seria aquilo que ele carregava tão desconfiado aquela hora da madrugada.</p>
<p style="text-align:justify;">Não demorou muito para amanhecer e logo um som de motor de moto se aproximar. Ficava cada vez mais perto, até parar no vizinho. Era um rapaz magro, alto, branco e com cicatrizes no rosto. Parecia ser um médico pelas suas vestes. Entrou na casa que já estava com um ar assombroso para mim. Fiquei esperando pendurado na janela. Comecei a ficar impaciente. Ninguém dava sinal de vida naquela casa e nem o jovem homem saía. Continuei com os olhos atentos para ver se captava algum movimento vindo de lá, mas me assustei ao ouvir meu nome sendo chamado pela minha avó. Estava na hora de acordar. Nós sempre íamos ao mercado comprar frutas, ovos e pães antes de ir à escola. Naquele dia não foi diferente, minha avó subiu até o quarto para me avisar que me arrumasse para irmos. Eu assim fiz. Desci e fiquei a esperando na porta, mas com os olhos fixados nas janelas da casa. Tive outro susto ao ser tocado no ombro pela minha avó.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao chegar no mercado, minha avó segurou firme na minha mão e me puxou para a banca de doces. Ela nunca comprava doces, a não ser nos sábados. Escolhi alguns, poucos pois sabia que ela não tinha muito dinheiro na bolsa velha e desbotada que descosturava a cada ida nossa ao mercado.<br />
Coloquei os doces no meu bolso e nos dirigimos até a banca de ovos.  Enquanto ela escolhia alguns, não parava de olhar para os lados e eu percebi sua preocupação, mas não tinha idéia do porque dela estar assim. Antes de terminar de escolher meia dúzia &#8211; quantidade a mesma que comprava todos os dias &#8211; ela me puxou forte para distante da banca, mas esbarrou num velho barbudo, barrigudo de pele branca com olhos claros e cansados. Senti a mão dela fria e tremendo.<br />
- Diga para ele! Diga o que ele ainda não sabe! &#8211; O velho falou num tom de braveza, com a boca bem perto do rosto da minha avó, quase a engolindo ao mesmo tempo que apontava para mim.<br />
- Não se meta, Carlos! Você não tem nenhum direito de dirigir a palavra a nós, nem tão pouco chegar perto do meu neto! &#8211; E saiu me puxando até o caminho que nos levava de volta à casa.<br />
- Esquecemos o pão &#8211; Eu disse.<br />
- Comeremos biscoitos hoje &#8211; Respondeu ela com a voz trêmula.</p>
<p>Estava-mos andando cada vez mais depressa.<br />
- Estamos atrasados vovó? &#8211; Perguntei eu, curioso de toda aquela situação.<br />
- Não fique perto daquele velhote &#8211; Respondeu com a voz já cansada</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://etc.usf.edu/clipart/45500/45567/45567_boy_door_md.gif" alt="Boy at Door" width="182" height="224" />Ao chegarmos em casa não entrei. Deixei ela preparando o café e fiquei observando da porta a casa ao lado, o vizinho misterioso. Esperei por alguns minutos, e nada vi. Resolvi ir até a janela. Me aproximei da mesma e  mesmo ficando na ponta do pé, ainda assim não consegui ver nada. Só a moto do jovem rapaz que ainda estava desligada do lado de fora. Fui até a porta que estava entreaberta e empurrei vagarosamente para não fazer nenhum barulho, mas o vizinho estava sentado bem ao lado da porta, no chão, e quando eu a empurrei ele olhou para mim e encarou-me, mas nada fez. Desesperado, corri até a minha avó, que já tinha posto o café na mesa. Os biscoitos doces, como ela tinha dito. Ela me viu ofegante e perguntou aonde eu tinha ido. Em lugar nenhum &#8211; respondi.</p>
<p style="text-align:justify;">Tomamos o café da manhã e caminhamos até a escola&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>CONTINUA NO PRÓXIMO POST!!!</strong></p>
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		<title>Alê &#8211; O lutador</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 03:45:11 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Era minha última luta naquele dia. Eu estava satisfeito com tantas vitórias já ganhas e estava convicto que fecharia minha carreira com chave de ouro. Cheguei cedo, estava animado. Comecei a me aquecer, mas logo alguns rapazes chegaram perto mim para pedir-me autógrafos; estes valiosos por serem o último da carreira de um lutador que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=contocontos.wordpress.com&amp;blog=9747375&amp;post=3&amp;subd=contocontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://www.cartoonstock.com/lowres/tpa0143l.jpg" alt="" width="235" height="256" /> Era minha última luta naquele dia. Eu estava satisfeito com tantas vitórias já ganhas e estava convicto que fecharia minha carreira com chave de ouro.</p>
<p style="text-align:justify;">Cheguei cedo, estava animado. Comecei a me aquecer, mas logo alguns rapazes chegaram perto mim para pedir-me autógrafos; estes valiosos por serem o último da carreira de um lutador que nunca perdeu. Eu era o melhor.</p>
<p style="text-align:justify;">30 minutos para minha última luta. Eu já estava eufórico. Caminhei em direção à entrada dos fundos, por onde todos os lutadores e participantes entram. Ao chegar em frente a porta abaixei a cabeça e em silêncio esperei por alguns segundos, queria ter certeza que estava mesmo preparado. Não pude mais esperar, levantei minha cabeça e junto, a minha mão para empurrar a porta mas parei imediatamente quando ouvi alguém dizer:<br />
- o Alê vai entrar sorrindo e sair chorando<br />
- Ele não vai poder largar a carreira assim tão mal, vai nos dar mais dinheiro se alimentar-mos ele para a vingança. Ele vai querer se vingar.<span id="more-3"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Era o Pedro que falava. Ele não lutava, apenas fazia as lutas acontecerem. Ele tinha contratado um tal de &#8220;azulão&#8221; pra lutar comigo. Não era conhecido por aquelas bandas, mas vinheram me falar que ele era temido. Eu não temo quem nunca vi.<br />
Empurrei a porta forte até ela bater na parede assustando-os. Fingi que nada ouvi. Demonstrei-me eufórico, dando pulinhos, encostando a o calcanhar no traseiro, dando soquinhos no ar. O Pedro veio com um sorriso enorme até a mim:<br />
- Esse é seu grande dia, amigão!<br />
- É, eu sei &#8211; Repliquei<br />
- Todos estão loucos para te ver pela última vez, vendi todos os ingressos assim que a bilheteria abriu. Vai ser demais, cara. Vamos filmar essa luta pra ficar guardada na história desse lugar.<br />
- Onde está o Rafa? &#8211; Cortando a conversa mentirosa do Pedro.<br />
-Ah! Ele estava te procurando. Tô sabendo que ele te pagará umas bebidas.<br />
-Tá, vou atrás dele &#8211; E saí atrás do Rafa.</p>
<p style="text-align:justify;">Estava curioso pra saber o que tramavam nas minhas costas e eu sabia que só o Rafa iria me dizer. Dei uma volta na sala onde ficam os lutadores, fui até a cortina de entrada no ring, mas não vi o Rafa. Senti alguém atrás de mim e me virei pra ver quem era; um negro alto e forte, com cabelo curto, quase não a vista na cabeça, em seu braço tinha uma tatuagem escrita: &#8220;Dalila&#8221;. Ao ver a tatuagem minhas pernas tremeram e um fogo parecia tomar conta do meu corpo. Subiu rapidamente pelas minhas pernas até a cabeça. Era ódio. Ele me fez lembrar meu triste passado. &#8220;Vou supera-lo no ring&#8221; &#8211; Pensei, afastando-me dele, do tal de azulão.</p>
<p style="text-align:justify;">10 minutos para luta. Já me entediara o sumiço de Rafa, ele nunca me deixa só ao inicio de uma luta, ele nunca me deixa só perto de todos que eu não gosto. Sentei-me em uma das caixas de madeira que estavam encostadas na parede oposta a que todos estavam. Fechei meu punho, e escorei meu rosto nele. Eu não me lembro de nenhum tal de azulão, mas nós frequentava-mos o mesmo lugar.<br />
Aonde está o Rafa? &#8211; Fiquei a pensar, mas minha inquietação não me deixou pensando por muito tempo. Levantei-me para colocar os protetores e beber um pouco de água. Logo ouvi alguém ofegante gritar meu nome: &#8220;Alê! Alê&#8221;. Era o Rafa.<br />
-Ela está aqui! &#8211; Disse ele.<br />
-Ela quem? &#8211; Perguntei.<br />
-A Dalila. Veio assistir a tua luta, está sentada bem no alto da arquibancada central.</p>
<p style="text-align:justify;">Enchi o peito, cerrei os punhos, e nem esperei que chamassem meu nome. Entrei no ring naquele instante, no mesmo tempo em que o azulão entrara. Olhei para a arquibancada central e lá estava ela, a Dalila e ao me ver fez cara de decepcionada abaixando logo em seguida um cartaz com a foto do azulão. Como pode? Não esperava ela me encontrar aqui? Aliás, o lugar &#8220;é meu&#8221; , a luta é minha e o público é meu. Há fotos minhas espalhadas por todos os lugares daquele ambiente, e porque aquela cara?</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://www.cartoonstock.com/newscartoons/cartoonists/tpr/lowres/tprn56l.jpg" alt="" width="192" height="154" />Aquela reação só aumentou a minha vontade de acabar com esse azulão. Não queria que a luta demorasse, a raiva me consumia naquele momento. O Juiz nos apresentou. Todas as vezes eu era o último a entrar lá, mas dessa vez foi diferente, seria minha última luta da carreira, e a primeira daquele festival.</p>
<p style="text-align:justify;">Começara a luta. Me aproximei dele cuidadosamente e tentei uma de esquerda, ele se safou e me acertou uma brava. Tentei relutar, mas ele me acertava durante alguns minutos. Pouco tempo depois conseguiu me derrubar, eu já estava cansado, mas não derrotado. Levantei e com toda força parti pra cima dele e o derrubei. Fiz o que eu sabia de melhor, dei tudo o que havia em mim e guiado pela raiva consegui machuca-lo.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://www.cartoonstock.com/lowres/gmc0080l.jpg" alt="'Have you noticed, he's all left hook?' by McNeill, Geoff" width="198" height="202" />Um breve intervalo se sucedeu. O meu corpo estava suado e quente. Olhei pra ele com muita ira, decidi derrota-lo o mais rápido possível. Os olhos deles estavam fitados em mim. Ele parecia me odiar.</p>
<p style="text-align:justify;">Voltamos a lutar, dessa vez mais decididos, mais ágeis e com mais raiva. Mal começara e já estava sendo uma luta cruel. O sangue já estava espalhado no ring, mas a minha vontade de derrota-lo não se assustava com absolutamente nada! Quem era aquele que veio me atordoar com meu passado? Quem era aquele que além de trazer a Dalila, a conquistou? Eu precisava mesmo me vingar!</p>
<p style="text-align:justify;">Vários intervalos se sucederam, era a luta mais longa de toda a minha vida. Ele lutava muito bem, era jovem e tinha bastante vigor, eu ao contrário, já estava exausto. Havia prometido a mim que aquele seria sim, o último intervalo.<br />
<img class="alignleft" src="http://www.cartoonstock.com/newscartoons/cartoonists/sra/lowres/sran431l.jpg" alt="Tyson Loses It Again ... by SR -Steamy Raimon-" width="240" height="231" />Dei o melhor de mim, ele fez o mesmo, mas enfim a luta acabou com um golpe certeiro na sua costela. O sangue jorrou, e ele caiu no ring. Todos se levantaram. A equipe correu para socorre-lo e Dalila desesperada invadiu o ring para saber dele. Eu a agarrei forte pelo braço e a perguntei:<br />
- Porque  veio aqui? Quem é ele?<br />
- Vim ver a luta. Me deixe saber se ele está bem! &#8211; Ela replicou<br />
- Eu o matei. Em poucos minutos ele morrerá. A costela quebrada perfurou seu coração. Me diga, quem era ele?</p>
<p style="text-align:justify;">Ela correu desesperada para perto dele, como se estivesse perdendo naquele momento todo o amor de sua vida. Eu sentei ali para assistir no que isso daria. Afinal, eu venci a luta, mas não de um jeito aceitável. Eu acabei de destruir toda a minha carreira por dar asas à raiva. Eu nem sabia quem ele era, mas o que ele me lembrou me tirou do normal.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><strong>CONTINUA NO PRÓXIMO POST!!!</strong></p>
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